
Dia desses tava na dúvida sobre o que usar pra vestir em uma festa de formatura. Minha tia é costureira e é a ela que confio todos os meus cortes de vestidos. E foi lá na casa dela que encontrei uns metros de renda preta ao meio de vários tecidos. E pensei por que não? Gente a renda voltou e voltou com tudo. Desenhei um modelo que é parecido com o do exemplo dado (vide foto). Ainda não experimentei o vestido, mas tenho certeza que deverá ser um sucesso. Digo isto sem modéstia porque sei que o tecido é a nova aposta para as próximas coleções. Segundo pesquisei aqui na net, a renda, um dos tecidos mais polêmicos do “mundo da moda”, foi o mais usado no ultimo desfile da Prada. E como a gloriosa estilista (como o próprio nome diz) Glória Kalil disse, se o tecido conquistou a estilista (Miuccia Prada) que vem ditando o que é fashion há alguns bons anos, pode apostar que ele vai aparecer de monte a partir de agora.
* Veja um pouco sobre o tecido e sua história:
DEFINIÇÃO E EXECUÇÃO - É um trabalho formado pelo cruzamento sucessivo ou entremeado de fios texteis, executado sobre o pique e com a ajuda de alfinetes e dos bilros. O pique é um cartão, normalmente pintado da cor açafrão para facilitar a visão por parte da executante, onde se decalcou um desenho, feito por especialistas e em papel quadriculado, cuja origem está na criatividade da autora, que por vezes recorre à estilização de objectos naturais como as flores e animais. Os alfinetes fixam o trabalho ao pique e são colocados em furos estrategicamente efectuados no desenho base. O bilro é um artefacto de madeira em forma de pera alongada onde é enrolada a linha (fio textil) que vai sendo descarregada à medida que o trabalho avança. Todo o trabalho é executado com o auxílio de uma almofada cilindrica, onde é fixado o pique, que, por sua vez, está pousada sobre um banco de madeira cuja forma permite a fácil alteração da posição da almofada, que roda sobre si, enquanto permita uma posição cómoda a quem executa.
A SUA HISTÓRIA - Indefinida que está a sua origem resta apurar a data do seu aparecimento no nosso país e, como tal, consta que a primeira vez que se falou na palavra renda, entre nós, terá sido no reinado de D. Sebastião em 1560. No reinado de D. João V o país foi inundado e influenciado pelas rendas com origem na Flandres, dado que o protocolo da corte obrigava ao uso das rendas flamengas, facto que veio prejudicar o desenvolvimento das nacionais. Esta situação originou a reveolta das rendeiras nortenhas que enviaram o seu protesto, perante o rei, através da vila-condense Joana Maria de Jesus, que conseguiu permissão para o uso das rendas nocionais em lenços, lençóis, toalhas e outro bragal de casa, continuando proibido o seu uso pessoal. As rendas nacionais foram libertadas destas peias em 1751, no reinado de D. José, passando a poder ser usadas na roupa branca de uso das pessoas, toalhas, lençóis e outras alfaias da casa. Porém a entrada na capital das rendas feitas no resto do país era sujeita ao acompanhamento de guias passadas pelos escrivães das câmaras, embora, pelo facto de na sua feitura se empregarem somente pessoas pobres, estivessem isentas de impostos.
E foi assim que na classificação das rendas se passou a denominar de aristrocáticas, hoje em Peniche chamadas eruditas, aquelas que imitam as estrangeiras por serem mais elaboradas e utilizando linhas finas, e as populares que são aquelas que tradicionalmente sempre foram feitas pelo povo.
* Com informações do http://rendadebilros.blogs.sapo/
Até.

Ótimo post! Gostei principalmente de você ter procurado mostrar mais sobre a renda, com informações adicionais e link para aprofundamento do assunto.
ResponderExcluirNota: 1,0
Clarissa